Inovações na construção civil Alagoana: entrevista com Engenharq

Veja como a ENGENHARQ está lidando com suas obras de construção em massa no período de pandemia.


Entrevista concedida à EJEC, por Jarbas Nogueira engenheiro da ENGENHARQ.

Entrevistadora: Rafaela Molina de Albuquerque. Projetista da EJEC.


A ENGENHARQ está atuando em uma grande empreendimento localizado no bairro do Eustáquio Gomes em que se está sendo levantado um complexo de condomínios do tipo Minha Casa Minha Vida faixa 1,5. Nesse artigo você entenderá melhor dos detalhes dessa obra a partir da entrevista concedida à EJEC, por Jarbas Nogueira.


Antes de tudo uma introdução ao Leitor, é um complexo de 1740 unidades divididas entre 5 empreendimentos (1° etapa), 1679 unidade e 4 empreendimentos (2° etapa), 1167 e 3 empreendimentos( 3° etapa) e a 4° etapa que é a atual (Violetas 448 UN e Hibiscus 454 UN) com a média de 4 pessoas por unidade familiar. Então como se pode perceber, é um empreendimento que possui um impacto ambiental, econômico, social muito grande pelo número de ações que precisam estar envolvidas nesse processo. E é claro que essa escala exige utilização de métodos e tecnologias eficientes. Então vamos saber as tecnologias que a ENGENHARQ aplica nesse complexo?


Como toda obra de grande porte há um imenso trabalho planialtimétrico que é desenvolvido por uma equipe designada pela ENGENHARQ especificamente para tratar da topografia do local, a movimentação de terras, há também um trabalho de drenagem que é feito através da criação de grandes lagos para que a água possua um destino apropriado, mas o foco do nosso artigo estará nos pré-moldados e no concreto que a ENGENHARQ utiliza nesse processo.


Como sabemos os pré-moldados exigem a utilização de formas, e que olhem só… pré-moldam as casas! Vamos começar pela fundação, para essa etapa tão importante na construção eles utilizam a laje Radier (já que as casas são todas térreas e não há a permissão para se construir mais de um pavimento) que é concretada com um concreto de 25 Mpa (com Slump 10 +-3) e nas paredes é utilizado o concreto de alta fluidez de 20 Mpa (com Slump 23+-3).


Após a fundação pronta que já é feita com os rasgos de soleira e os ralos, vem o “esqueleto”, que é a armadura de ferro, em seguida o posicionamento das “veias” que são as tubulações hidráulicas e por fim o “sistema nervoso” da casa que são as instalações elétricas, por fim as formas são posicionadas já com as aberturas pré-definidas, e o concreto de alta fluidez é adicionado.


Vamos as perguntas!

  1. Quando iniciaram o trabalho com esse concreto?
    Em 2014, modificamos nosso processo produtivo para tecnologia de paredes de concreto para as unidades habitacionais, utilizando o concreto celular (concreto leve) em um empreendimento faixa 1 MCMV, porém após 2015 por exigência do agente financiador tivemos que modificar o concreto utilizado nas unidades habitacionais para concreto de 20 Mpa de alta fluidez.
  2. Qual a empresa que fornece esse serviço para vocês?
    Nós temos um parceiro que é a Supermix, que de acordo com nossa necessidade dimensionou o traço.
  3. Você, Seu Jarbas se fosse dar uma nota para o uso desse concreto, qual seria?
    Acredito que 8, quando se está envolvido neste tipo de processo construtivo, passamos a não mais querer executar essas obras horizontais da forma tradicional; a previsibilidade do processo como um todo é muito grande.
  4. Recomendaria para outros usos?
    Recomendo sim; mas entendo que num futuro próximo a otimização da construção civil será muito mais forte, necessitando de novas tecnologias construtivas.
    Rafaela: Durante a visita ao local (que ocorreu antes da pandemia) percebi que o concreto do radier apresenta pequenas fissuras porém, aparecem repetidamente e a justificativa para isso é que a cura do concreto acontece durante as altas temperaturas do dia, devido o cronograma das obras não poder esperar para realizar essa cura durante o fim do dia e o período da noite, mas sabemos que isso não causa danos a estrutura.
  5. Mesmo assim vocês da ENGENHARQ, pensam em sombrear mais o canteiro de obras?
    Quando se trata de obra horizontal, com glebas de grandes dimensões, se torna difícil conseguir sombrear toda área concretada; porém temos estudos para montar galpões infláveis para executar as quadras, tanto na fase de movimentação de terra, quanto na concretagem.
    Rafaela: Pois ao longo da visita percebi que o canteiro é muito limpo de sujeiras de obra, realmente vocês trabalham apenas com o essencial para cada dia e isso funciona muito bem, pois agilidade é muito grande, com cerca de 6 casas por dia, mas acaba sendo limpo também de “pontos humanos”, pois o sombreamento é dado de forma muito precária, então a poeira e o sol realmente dão suas caras por lá.
  6. Vocês pensam sobre inovar no canteiro de obras colocando, com mais frequência pontos de apoio? Quais inovações vocês mais buscam no momento?
    Ao longo dos empreendimentos estamos evoluindo, no G-IV executamos um espaço para almoxarifado provisório coberto na parte central da obra, reduzindo o descolamento e a exposição dos colaboradores as intempéries, foram colocadas tendas moveis em cada frente de serviço de coberta, na etapa de concretagem tem um apoio, em cada frente de cerâmica tem um apoio.
  7. Pois os pontos que existem são muito válidos, mas vocês pensam nessa melhoria? Por quê?
    Compreendo que ao longo dos anos há um aumento gradual da temperatura, acarretando perca de produtividade dos colaboradores que ficam exposto as intempéries, temos estudos para cobrir a quadra durante a execução; mas acredito que num futuro próximo poderá ser alterado o horário da jornada de trabalho.

    E agora a pergunta que não poderia faltar:
  8. Qual o plano de ação que a ENGENHARQ está adotando durante o período de Pandemia? Estão tendo desafios diários ou ocorreu apenas algumas adaptações de fácil resolução?
    Estamos literalmente numa guerra; paralisamos nossas atividades de evolução de serviços durante aproximadamente 11 dias, para adaptar o canteiro e preparar o nosso time.
    – Contratamos 2 enfermeiras, 4 técnicas de enfermagem, mais 3 técnicos de segurança, (já tínhamos 2);
    – Para acessar o canteiro todas as pessoas têm sua temperatura corpórea verificada, e todas têm que levar as mãos;
    – Conscientização de todo o time das precauções;
    – Montamos no acesso ao canteiro 80 pias com água / sabão / álcool em gel, todos os veículos que acessam o canteiro são sanitizados com quaternário de amônio de 5° geração;
    – Obrigatoriedade da utilização de máscaras e óculos (foi entregue a todos os funcionários);
    – Horário início do labor, término e almoço em 3 escalas;
    – Estruturas sanitária em todas as frentes de serviço (pia com reservatório d’água com sabão e álcool);
    – Todos os serviços separados por células, nenhum com contato com as demais;
    – Restrição do acesso as salas;
    – Utilização de reuniões por aplicativo;
    – Foi montado 10 refeitórios provisórios com estrutura sanitária, próximo as frentes de serviço;
    – Mapeamento de faltas e monitoramento de casos suspeitos, com fluxo de contatos.

    Muito conteúdo bom foi passado aqui, aproveitem o conhecimento, divulguem nos cursos de vocês, nas faculdades, nas empresas juniores, pesquisem mais sobre o trabalho fantástico da ENGENHARQ, e a EJEC agradece imensamente a participação e envolvimento do Engenheiro Jarbas Nogueiras nessa entrevista.

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